Recebi da Fausto Mag, na pessoa de Eliana de Castro, sua criadora, o convite para escrever um texto introdutório à obra de Bruno Tolentino, na altura de seu aniversário em 12 de novembro de 2020, revista esta em que podemos ler ensaios e entrevistas de grandes figuras do mundo da cultura, com destaque à entrevista com Harold Bloom, sim, uma entrevista exclusiva para a revista, e com Antônio Risério. Aproveitando o lançamento que a editora É Realizações fez de As horas de Katharina, pelo selo Filocalia, para inaugurar a publicação das obras completas de Bruno Tolentino, é oportuno resgatar esse texto que a Fausto Mag me honrou com seu acolhimento. Para lê-lo, neste link: https://faustomag.com/bruno-tolentino-a-guisa-de-apresentacao/
quarta-feira, 5 de abril de 2023
sexta-feira, 31 de março de 2023
UMA ARTE, DE ELIZABETH BISHOP, POR IGOR BARBOSA
Só tomei conhecimento deste poema pela versão que Bruno Tolentino lhe fez e publicou no Mundo como idéia. Se uso a palavra versão é porque, embora Tolentino resgate para o vernáculo a matéria do poema original é, sem dúvida, outro poema que compôs sobre o mesmo motivo. E não sou eu que o digo, é o mesmo poeta que, entre parênteses, acrescenta um subtítulo, "Uma arte toda sua"; depois li as traduções de Paulo Henriques Brito e de Nelson Ascher. Agora, saindo do forno, ou melhor do whatsapp de Igor Barbosa, esta tradução cuja qualidade e força poética renova o interesse de quem lê poesia. É ocioso dizer que uma nova tradução de um mesmo poema não é como ler um mesmo poema várias vezes, posto que isso seja também uma experiência enriquecedora que nos mostra desse poema algo que se não percebeu nas leituras anteriores, é algo como ouvir um concerto executado por diversos maestros, que é o mesmo e também carrega a assinatura pessoal de cada regente.
tantas coisas contêm a própria perdição
que, uma vez perdidas, mal fazem sofrer.
Perde algo todo dia, aceita que vais ter
chaves de casa e horas fugindo-te às mãos;
Nada dificultosa é a arte de perder.
Pratica, então, mais vezes e melhor perder;
lugares, nomes, e o destino ao qual não
chegaste. Tudo isso pouco faz sofrer.
Perdi o relógio de mamãe. E até, vem ver,
a última ou quase última habitação.
Nada dificultosa é a arte de perder.
Duas cidades que amei não vou mais ter,
reinos que possuí, dois rios, uma nação.
Suspiro, mas tudo isso pouco faz sofrer.
- E mesmo te perder (a voz risonha, o ser
que eu amo). Eu não devo mentir. Claro que não
é tão dificultosa a arte de perder,
mesmo que (Escreve!) assim te possa parecer.
sábado, 25 de fevereiro de 2023
AS HORAS DE KATHARINA, DE BRUNO TOLENTINO, EM NOVA EDIÇÃO
terça-feira, 15 de novembro de 2022
Mais um texto meu para a Unamuno
Um texto sobre um poema de Igor Barbosa, que a revista Unamuno publicou. Cliquem aqui.
segunda-feira, 14 de novembro de 2022
As Horas de Katharina, de Bruno Tolentino, por João Filho no Oratório Virtual
Ainda na celebração do aniversário de Bruno Tolentino, publico aqui uma aula do poeta João Filho sobre As Horas de Katharina para o canal Oratório Virtual do padre Magno Gilson:
domingo, 13 de novembro de 2022
Uma conversa sobre Bruno Tolentino no Oratório Virtual
sexta-feira, 28 de outubro de 2022
Le Devot Christ , de Thomas Merton, prólogo ao livro Bread in the Wilderness (um exercício de tradução)
A fotografia estampada neste livro é a de um crucifixo famoso, venerado há séculos numa capela anexa à Catedral de Perpignan, no sudeste da França. Ninguém sabe quem esculpiu esta assombrosa obra-prima. Ninguém sabe ao certo de onde vem. Terá sido levada a Perpignan da Alemanha ou da Espanha? Ou terá sido, como crê a maioria, obra de um catalão anônimo que morava em Perpignan ou nas proximidades dos Pirineus? Qualquer que seja a origem do "Le Devot Christ", sem dúvida arte cristã alguma expressou tão poderosamente o sofrimento de Cristo na Cruz. É de fato o Cristo que o profeta Isaías descreveu “como um rebento que sai de terra sequiosa”. É verdadeiramente o Cristo que Isaías anunciou: “não tinha graça nem beleza para atrair o nosso olhar, o seu aspecto não excitava o nosso amor. Era desprezado, o último dos homens, homem de dores, experimentado nos sofrimentos… Verdadeiramente foi ele que tomou sobre si nossas doenças, carregou com as nossas dores; nós o reputamos como um castigado, como um homem ferido por Deus e humilhado.”(53, 2-4).
Este é também o Cristo do Salmo 25 e de outros que discutimos neste livro. É o Cristo da “noite escura” de que fala São João da Cruz. É o Cristo que compartilha Sua agonia com os místicos. Por fim, é o Cristo de nosso tempo -- o Cristo da cidade bombardeada e do campo de concentração. Vimo-Lo e conhecemo-Lo muito bem. Este Devot Christ é a imagem do que os homens de nossa era estão fazendo uns aos outros: porque eles estão matando-O no outro. Porém, porque muitos há nos quais Ele morre outra vez, muitos há nos quais ressuscita. Afinal, Cristo morre tão-somente para ressurgir dos mortos.
Esta fotografia é por isso mesmo a imagem de nosso Redentor, o Salvador do mundo. Dele disse Isaías no mesmo quinquagésimo terceiro capítulo de sua profecia: “... foi ferido por causa das nossas iniquidades, foi despedaçado por causa dos nossos crimes; o castigo que nos devia trazer a paz, caiu sobre Ele, e nós fomos sarados com os Seus ferimentos. Todos andávamos desgarrados como ovelhas, cada um seguia seu caminho; o Senhor carregou sobre ele a iniquidade de todos nós.”
Não é de admirar que este Devot Christ seja buscado diariamente pelos penitentes e peregrinos no país catalão francês. Este crucifixo é reputado como miraculoso, que garante muitos favores a quem no possui em pura devoção -- ab los que tenan pura devocio. Conta-se-Lhe uma lenda a respeito: Acredita-se que todo ano sua cabeça curvada inclina-se pouco a pouco ao peito. Dizem os catalães que quando o queixo finalmente encostar-se ao peito, será o fim do nosso mundo.

